Prémios e + prémios . . .

A consagração internacional do decano do cinema português, frequentemente pelam m totalidade da sua carreira, começou há mais de 20 anos.
Em 1981, durante o Festival de Berlim, foi-lhe atribuído o Prémio Interfilm. No Festival de Tóquio já ganhou dois prémios: em 1993, o de melhor contribuição artística por "Vale Abraão"; e em 1997 um especial por "Viagem ao Princípio do Mundo". No de São Francisco ganhou em 1994 o Prémio Akira Kurosawa, e no de Munique ganhou em 2001 o Prémio CineMerit. Recebeu ainda prémios especiais do júri no Festival de Mar del Plata (Argentina), em 1998, e no Festival Latino-Americano de Huelva, em 2000. Em 1995, durante o Festival da Catalunha, recebeu o prémio da Associação Catalã de Argumentistas por "O Convento". No Festival de Cannes: em 1990 e 1997 (por "Viagem ao Princípio do Mundo) ganhou o Prémio FIPRESCI; em 1999 o Prémio do Júri por "A Carta".

 

Em Agosto de 1998 Manoel de Oliveira foi distinguido com o Grande Prémio Especial das Américas, pelo conjunto da sua obra, durante o Festival de Filmes do Mundo de Montreal, no Canadá, no mesmo dia em que era exibido aquele que era à data o mais recente filme do realizador português – "Inquietude". O presidente do festival, Serge Losique, afirmou então, justificando a distinção, que "Manoel de Oliveira é um monumento do cinema. Rodou a sua primeira obra há 65 anos e tem sido fonte de inspiração para uma geração de realizadores. É o exemplo vivo de um grande criador de cinema que nunca se deixou comprometer pelas concessões comerciais." Em Outubro de 2003, Manoel de Oliveira foi condecorado em Marrocos, no Palácio Real de Marraquexe, pelo príncipe Moulay Rachid (irmão do rei Mohammed VI) como comandante da ordem dos Ouissem Alaouite, a mais alta distinção daquele país. A cerimónia decorreu durante a realização do festival internacional de cinema daquela cidade marroquina – cuja entidade organizadora é presidida, precisamente, pelo príncipe; idêntico galardão receberam, na mesma ocasião, os realizadores Ridley Scott e Oliver Stone e o actor Alain Delon.

 


Porém, há um país em que o cinema português em geral, e o de Manoel de Oliveira em particular, parece ser especialmente apreciado: Itália. Em 1985, o Festival de Veneza atribuiu-lhe o Leão de Ouro de Carreira. Neste mesmo festival venceu: em 1991, o Grande Prémio Especial do Júri por "A Divina Comédia"; em 2000 o Prémio Bastone Bianco por "Palavra e Utopia"; em 2001 o Prémio UNESCO por "Porto da Minha Infância"; em 2003 o Prémio SIGNIS por "Um Filme Falado". O mesmo festival deu a João César Monteiro um Leão de Prata em 1989 por "Recordações da Casa Amarela" e um Grande Prémio Especial do Júri em 1995 por "A Comédia de Deus". Voltando a Manoel de Oliveira, recebeu em 1994 o Prémio Luchino Visconti e já em 2004 o Prémio Vittorio de Sicca, atribuído pelo Presidente da República Carlo Azeglio Ciampi. "Fintar o Destino", realizado por Fernando Vendrell, ganhou em Junho de 1998 o Prémio Vesúvio do Festival de Cinema de Nápoles, levando a melhor a outros 11 filmes europeus de novos realizadores – entre os quais estavam nem mais nem menos que "Abre Los Ojos", do espanhol Alejandro Almenabar, e "Sitcom", do francês François Ozon; o filme, recorde-se, conta a história de um caboverdiano que tinha o sonho de jogar no Benfica. "Ao lado", na Grécia, Luís Filipe Rocha ganhou, em Dezembro de 2003, o prémio para o melhor filme do Festival de Cinema de Olympia com "A Passagem da Noite".

 

Outro festival de cinema europeu, o de Locarno, na Suíça, já foi generoso para mais que um português: José Álvaro de Morais ganhou o Leopardo de Ouro em 1987 por "O Bobo"; Manoel de Oliveira ganhou um Leopardo de Honra em 1992 por toda a sua obra em geral e por aquele que era na altura o seu filme mais recente - "O Dia do Desespero". E, em 2002, Paulo Branco – produtor habitual dos filmes do quase centenário mestre mas também de, entre outros, João César Monteiro e de João Botelho - recebeu, pelo seu contributo para a sétima arte, o Prémio Raimondo Rezzonico - a primeira vez que um produtor de cinema independente foi distinguido naquele festival.
...Um pouco por todo o Mundo
Se os veteranos, liderados por Manoel de Oliveira, já se habituaram a juntar prémios, os estreantes começam a tomar-lhes o gosto.
Em 2003, precisamente em Locarno, foi a vez de uma jovem promessa nacional, Cláudia Tomaz, ser premiada - pelo seu filme "Nós". Ainda no ano passado: "Process 5703-2000", realizado por Mora Castilho, ganhou dois prémios – pela banda sonora e na categoria "solidariedade"– em Itália, na Competição Massimo Troisi; por sua vez, "Desobediência", uma co-produção luso-moçambicana realizada pelo moçambicano Licínio de Azevedo venceu o troféu de ouro na categoria de ficção do Festival Internacional de Programas Audiovisuais, que decorreu em Biarritz, na França. Já em 2004, Inês Oliveira conquistou o Grande Prémio do Júri do Festival de Angers, também em França, pelo filme "O Nome e N.I.M." – a terceira distinção internacional recebida por esta obra.
Qualquer prémio é importante, mas não existe no cinema um tão importante como um Oscar. E em 2004 Eduardo Serra (português, cinematografia – "A Rapariga do Brinco de Pérola") e Fernando Meirelles (brasileiro, realização – "Cidade de Deus") não foram os únicos cineastas de língua portuguesa a serem nomeados para os Oscares de 2004. Praticamente ninguém referiu Carlos Saldanha, nomeado na categoria de melhor filme de animação de curta metragem (juntamente com John C. Donkin) por "Gone Nutty". Nenhum deles ganhou, mas ficou pelo menos a certeza de que os três ficaram, pode dizer-se, entre os cinco melhores do Mundo nas suas áreas. Recorde-se entretanto que tanto Eduardo Serra como Carlos Saldanha já haviam sido nomeados: o primeiro em 1998, pela cinematografia de "As Asas do Amor"; e o segundo em 2002, embora "indirectamente", enquanto co-director de "A Idade do Gelo" (que perdeu para "Shrek").
Apesar de já se ter obtido nomeações, as famosas es-tatuetas da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas americana ainda nunca "falaram português". Contudo, tal já aconteceu no Festival de Cinema de Sundance, tão só o mais importante evento "independente" do sector e que foi criado pelo famoso actor e realizador Robert Redford. Já em 2004, em Janeiro, o Grande Prémio do Júri na categoria de documentário foi para "DiG!", que aborda a relação de amizade e de rivalidade entre dois grupos musicais, e que tem como co-produtor Vasco Nunes, um jovem de 30 anos que trabalhou na SIC como operador de câmara. No entanto, quem tem um currículo bem maior na festa da sétima arte que decorre no estado de Utah é Joana Vicente. Dois dos filmes (longa metragem de ficção) que produziu juntamente com o seu marido (americano) Jason Kliot conquistaram quatro prémios naquele certame: "Wellcome to the Dollhouse" (1995) ganhou o Grande Prémio do Júri; "Three Seasons" (1999) ganhou não só também o Grande Prémio do Júri mas ainda o prémio do público ("audience award") e o de melhor cinematografia. Em Setembro de 2002 o jornal Expresso dedicou 12 páginas à vida e carreira desta portuguesa que nasceu em Macau, passou por Goa, Lisboa e Paris antes de assentar em Nova Iorque, onde viria a tornar-se uma das figuras mais influentes do cinema "alternativo" dos Estados Unidos. Como diz Tony Jenkins nesse artigo, "trabalhou com Robert Redford, John Cusack e Sigourney Weaver. Sofia Ford Coppola anda a pedir-lhe para fazer o seu próximo filme. Harvey Keitel desfaz-se em elogios logo que ouve o nome dela." Residentes em Manhattan perto do local onde se erguiam as torres gémeas do World Trade Center, Joana e Jason produziram o primeiro filme sobre a tragédia: "The Guys". Actualmente, a sua grande aposta vai para "The Assassination of Richard Nixon",protagonizado por Sean Penn. Como se vê, temos compatriotas que se distinguem no cinema com pessoas "a sério". Mas no cinema de animação contamos igualmente com uma - recente – referência internacional: "A Suspeita", curta metragem dirigida por José Miguel Ribeiro, que depois de ter ganho diversos prémios nacionais – incluindo um no Fantasporto de 2000 – viria a conquistar em 2001 a Golden Iris no Festival do Filme Europeu de Bruxelas enquanto "Best European Short". Não há dúvidas: não é só com Manoel de Oliveira que o cinema em português alcança o êxito...

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Em Portugal ele não é propriamente, apesar de respeitado e prestigiado, um cineasta popular...
muito menos consensual. Na verdade, e à semelhança de outros portugueses, parece ser admirado
mais no estrangeiro do que no seu país. São muitos os prémios internacionais relativos à sétima arte
que já conquistou – mais do que qualquer outro compatriota. Mas há uma "distinção" em que ele é,
de facto, inultrapassável, o Nš1 do planeta: segundo o livro Guiness dos recordes, Manoel de Oliveira
é – desde 2001 - o realizador mais velho do Mundo em actividade.